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Desenvolvimento econômico – Brasil deve chegar à 8ª posição

26/10/2026 - Na mídia

Foto Desenvolvimento econômico – Brasil deve chegar à 8ª posição

Gazeta Digital | Silvana Bazani – 25/10/2026  | Fernanda Silveira

Ciclo de desenvolvimento que catapultou Mato Grosso a um crescimento de 661% nas últimas 3 décadas, sendo recorde nacional e acima da mediana do país fixada em 190%, esteve ancorado em ganhos de escala, uso intensivo de tecnologia, grandes propriedades e forte inserção nas cadeias globais de valor, afirmam economistas ouvidos pela reportagem de A Gazeta. Este dinamismo produtivo do Estado reverte no cenário macroeconômico nacional. Conforme projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgadas no documento Perspectivas da Economia Mundial, o Brasil deverá retornar à 8ª posição entre as maiores economias do mundo até 2027, ultrapassando Rússia e Itália, com a expectativa de se manter nesse posto de destaque até 2031.

O avanço brasileiro ao top 8 global reflete a expansão real da produção e a conversão do Produto Interno Bruto (PIB) nominal em dólares, sofrendo influência cambial e inflacionária. Neste contexto, Mato Grosso com sua potência agropecuária propicia divisas para a balança comercial e para capacidade externa de pagamento do Brasil. O superávit comercial gerado pelas exportações estaduais não reverte, contudo, em arrecadação ou enriquecimento da população, uma vez que o ranking do FMI mede o volume global de produção e não a renda per capita dos cidadãos, conforme explica o economista Maurício Munhoz. Essa ponderação é complementada pelo economista Jonil Vital de Souza, que aponta que a ascensão do Brasil também reflete o desempenho econômico desfavorável de outros países como a Rússia, em contexto de guerra, e da Itália, afetada pela letargia econômica europeia embora reconheça o peso dosaldo comercial sustentado pelas exportações mato-grossenses.

Ao analisar os efeitos do comércio exterior, o economista Vitor Galesso argumenta que esse dinamismo está potencializado pelo consumo da Ásia – mercado de 3 bilhões de habitantes na China, Índia e países vizinhos – e que supera a mera oscilação cambial. Contexto que posiciona Mato Grosso como basilar da estabilidade externa brasileira. Por sua vez, a consultora e professora Fernanda Silveira pontua que a margem que coloca o Brasil no 8º lugar é sensível à flutuação cambial. Reforça que embora Mato Grosso represente 40% do superávit comercial brasileiro, a medição do FMI foca em resultados globais de produção. O economista Leonardo Flauzino lembra que o crescimento nacional recente também foi alçado por maior impulso fiscal e ganhos agrícolas, embora a balança de serviços negativa exija a atração constante de capitais estrangeiros para fechar o balanço de pagamentos.

Nesse cenário, mecanismos de incentivos fiscais e instrumentos como a Lei Kandir e o Fundo de Transporte e Habitação (Fethab) contribuíram para melhora da infraestrutura logística e escoamento da produção mato-grossense. As políticas de incentivos fiscais irão, contudo, passar por reestruturação com a reforma tributária e futura extinção dos benefícios do ICMS em 2032.

Riqueza não elimina as desigualdades

Retorno do Brasil à 8ª posição entre as maiores economias do mundo até 2027 evidencia a necessidade de transformar indicadores de riqueza em distribuição justa e redução das desigualdades. Mato Grosso exemplifica essa contradição ao ostentar o 3º maior PIB per capita do país e taxa mínima de desemprego, enquanto convive com forte concentração de valor na exportação primária e 650 mil pessoas em situação de pobreza. No território mato-grossense, persistem disparidades econômicas acentuadas entre municípios integrados ao agronegócio e bolsões de vulnerabilidade na Capital e região metropolitana.

Como ressaltam os economistas Vítor Galesso, Maurício Munhoz, Leonardo Flauzino, Vivaldo Lopes, Jonil Vital de Souza, Aniela Carrara e Fernanda Silveira, o PIB mede a produção total, mas não como essa renda é repartida entre famílias, municípios e setores produtivos. Para que o crescimento econômico gere distribuição igualitária e melhoria na qualidade de vida, os especialistas apontam medidas. É necessário migrar da exportação de commodities in natura para verticalização agroindustrial, gerando empregos melhor remunerados e retendo maior valor agregado no Estado. Também investir em qualificação profissional e ensino técnico para fixar sedes corporativas e afastar a dependência de mão de obra barata. Além disso, utilizar fundos públicos e repasses do Fethab para o desenvolvimento regional integrado de municípios distantes do eixo da BR-163 e universalizar serviços essenciais. (SB)

 

Fernanda Silveira é sócia de Negócios da Simões Pires.

 

Veja também: Reforma Tributária exige atenção do setor lácteo e preparação para mudanças na cadeia produtiva
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