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Simões Pires | Lavínia Vieira | 24/03/2026
O cenário geopolítico de 2026 consolidou-se como um dos mais complexos da década. A persistência das tensões militares entre Estados Unidos e Irã reconfigurou as rotas logísticas globais e manteve a volatilidade das commodities em patamares históricos. No Brasil, o ambiente é de cautela redobrada: o mercado monitora de perto o ciclo da taxa de juros e o início das movimentações para as eleições políticas, fatores que, somados, impõem uma pressão constante sobre o custo de capital e a confiança do investidor.
Em momentos de tamanha incerteza, é comum que lideranças busquem soluções disruptivas ou “apostas de mestre”. No entanto, a experiência em Advisory nos mostra que a imunidade a crises não vem de previsões heróicas, mas de um retorno disciplinado ao essencial. No jargão popular, é o momento de fazer o “feijão com arroz bem-feito “. No ambiente corporativo, chamamos isso de Excelência nos Fundamentos Operacionais.
Quando o cenário externo é incontrolável, a gestão deve focar no que é controlável. A navegação em 2026 exige que as empresas olhem para dentro com rigor cirúrgico. Não se trata apenas de “cortar gastos”, mas de uma revisão profunda de custos e produtividade.
Iniciativas baseadas em metodologias de Orçamento Base Zero (OBZ), por exemplo, ganham um novo fôlego. O foco deixa de ser o cumprimento de um orçamento histórico e passa a ser a justificativa estratégica de cada real investido. O objetivo é claro: proteger a última linha (lucro líquido) através da eliminação de ineficiências que costumam ser camufladas em ciclos de maior liquidez.
Para atravessar o ano de 2026 com solidez, a maturidade empresarial deve estar pautada em fundamentos que garantem que a estrutura responda com precisão aos estímulos do mercado:
Embora o desafio seja transversal, os reflexos variam. No agronegócio, o foco na produtividade por hectare e na gestão de insumos é a maior defesa contra a volatilidade do dólar. Na indústria e no varejo, a revisão da cadeia logística e o controle rigoroso do capital de giro tornam-se questões de sobrevivência diante de juros que encarecem a estocagem.
O mercado brasileiro, resiliente por natureza, costuma premiar quem mantém a casa em ordem. Aqueles que consolidam sua governança e revisam sua estrutura de custos agora, não estarão apenas “sobrevivendo” a 2026, mas preparando-se para acelerar assim que o ciclo de incertezas encontrar o seu ponto de inflexão.
Navegar as incertezas geopolíticas e econômicas não exige uma visão de futuro infalível, mas uma fundação organizacional resiliente. Acreditamos que a sofisticação reside na excelência do essencial.
Iniciativas voltadas à maturidade da gestão e à blindagem da última linha transcendem a própria resiliência do negócio; elas definem a capacidade de uma organização de permanecer relevante, sólida e perene em qualquer cenário. Em 2026, o diferencial competitivo pertencerá às organizações que escolherem transformar o essencial em sua maior fortaleza.
Lavínia Vieira é sócia de Advisory da Simões Pires.
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